Canção de Embalar

José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos nasceu a 2 de Agosto de 1929, em Aveiro.

Foi um homem solidário que se moveu, durante toda a sua vida, por causas e ideais em que acreditava e que lhe pareciam justas.

José Afonso, que ao longo da sua vida, desenvolveu uma intensa actividade cívica, musical e política, exerceu a docência, no Ensino Secundário, de 1955 até 1967, ano em que acabou por ser expulso do ensino oficial por dissentimento com o regime em vigor, o Estado Novo.

Em 1952, José Afonso grava os seus dois primeiros discos, dois “singles” de 78 rotações com fados de Coimbra, editados, no ano seguinte, pela Editora Alvorada.

Em 1962 é editado o EP Baladas de Coimbra, com quatro canções, de entre as quais constam o Menino d’Oiro.

No ano seguinte, em 1963, é editado um outro EP Dr. José Afonso em Baladas de Coimbra, também com quatro canções, de entre as quais constam o Menino do bairro Negro e Os Vampiros.

Esses dois registos marcam o início da criação, por parte de José Afonso, de baladas e canções de grande riqueza melódica e poética, cujo acompanhamento à viola é levado a cabo por Rui Pato, figura histórica da canção de Coimbra.

Depois de muitas andanças, José Afonso termina, em 1963, a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

José Afonso, que gravou discos tão preeminentes como, e.g., Traz Outro Amigo Também, de 1970, Cantigas do Maio, de 1971, já sinalizado anteriormente, ou Venham Mais Cinco, de 1973, é, indubitavelmente, um dos grandes vultos da cultura portuguesa na segunda metade do século XX.

José Afonso, ao longo do seu vasto e notável percurso musical, abarcou diversas áreas, das baladas de Coimbra à música tradicional, tendo também composto música para teatro.

O seu génio criativo deixou sementes que continuam, nos dias de hoje, a influenciar a música e a cultura portuguesas.

É de toda a pertinência sublinhar que o álbum Cantigas do Maio contém a Grândola Vila Morena, canção que ficou imortalizada como um dos símbolos do 25 de Abril de 1974, a Revolução que pôs fim ao regime do Estado Novo e instaurou a democracia em Portugal.

José Afonso morreu em Setúbal, a 23 de Fevereiro de 1987, tendo sido o seu funeral acompanhado por uma enorme multidão que saiu à rua para prestar a derradeira homenagem a uma das figuras maiores da música e da cultura portuguesas e um dos grandes símbolos da resistência ao regime que acabou, precisamente, em Abril de 1974.

A canção de que iremos falar consta do álbum de José Afonso, de 1968, Cantares do Andarilho, o seu primeiro disco para a Orfeu, editora discográfica de Arnaldo Trindade.

Nesse disco, acompanhado à viola por Rui Pato, José Afonso recupera formas musicais e poéticas tradicionais.

Cantares do Andarilho foi o seu primeiro disco para a, já referida, editora Orfeu.

Iremos ouvir, desse extraordinário disco, a quarta faixa, a bela e aprazível Canção de embalar, cuja suave melodia exalçada pela delicada e doce voz de José Afonso tende a criar uma atmosfera de um encanto, de uma serenidade e de uma quietude tais, que, ainda hoje, nos continua a envolver numa amena e comovente brandura.

https://www.youtube.com/watch?v=A_RXp5divBM

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