So What

1959. O ano em que a cantora Ella Fitzgerald se torna a primeira mulher negra a ganhar um Grammy é, também, o ano do lançamento daquele que é, amiudadamente, considerado como o melhor álbum de jazz de sempre. Falamos de Kind of Blue.

A história conta-se em breves linhas. O genial e visionário músico, de seu nome Miles Dewey Davis III (1926 – 1991), reuniu em estúdio o saxofonista tenor John Coltrane, o pianista Bill Evans, o saxofonista alto Julian “Cannonball” Adderley, o baixista Paul Chambers, o baterista Jimmy Cobb e o pianista Wynton Kelly, todos eles músicos de excepção!

Recuperemos, a propósito, uma bela locução de Erasmo de Roterdão: “Os Deuses comprazem-se em unir os semelhantes”! 

Com esse sexteto formado, houve um ensaio relatado por Bill Evans no qual, estribado no anexim “primeira mente, melhor mente”, Miles Davis facultou aos restantes membros do sexteto apenas esboços das partituras, tendo eles que improvisar, com base nas breves instruções dadas por Miles Davis para cada peça. O álbum foi gravado praticamente de uma vez só. 

Gravado num estúdio da Columbia Records, em Nova Iorque, em duas sessões, a 2 de Março e a 22 de Abril de 1959, o álbum teve o seu lançamento a 17 de agosto desse mesmo ano. O excepcional e influente Kind of Blue é, justamente, tido como um dos mais admiráveis álbuns da História da Música.

Acrescentaremos, ainda, umas breves notas acerca desse extraordinário trompetista e compositor de jazz americano, assinalando que esse músico de excepção, que nasceu em Alton, no Estado do Illinois, estudou, já em Nova York, na reconhecida Juilliard School of Music antes de iniciar a sua carreira profissional no quinteto de Charlie Parker. Penso que se pode afirmar que um dos traços distintivos do longo e formidável percurso de Miles Davis, enquanto músico, foi a sua incessante busca de novas linguagens para o jazz, ajudando, desse modo, a redefinir os contornos deste género musical em praticamente todas as suas etapas evolutivas, onde se enquadram, por exemplo, o cool jazz, o hard bop, o modal jazz, ou o jazz de fusão.

Terminaremos, dizendo que Miles Davis, autor de títulos como, e.g., Birth of the Cool, Sketches of Spain ou a banda sonora do filme Ascenseur pour l’échafaud, do cineasta francês Louis Malle, é olhado como um dos músicos mais influentes da segunda metade do Séc. XX.

Desse magnífico álbum, Kind of Blue, iremos ouvir a fabulosa primeira faixa, So What.

https://www.youtube.com/watch?v=ylXk1LBvIqU

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