O Sétimo Selo

 “Tendo (o cordeiro) aberto o sétimo selo, fez-se silêncio no céu quase por meia hora.” — Ap 8, 1

O Novo Testamento ou Nova Aliança é a segunda parte da Bíblia cristã, resultante, no seu todo, da compilação de vinte e sete livros.

O seu último livro — cujo autor se identifica apenas como “João” — é o Livro do Apocalipse, ou Livro da Revelação.

Sinalizaremos, então, que a frase em epígrafe é, justamente, o Versículo 1, do Capítulo 8, do Livro do Apocalipse.

Daquele versículo foi retirado o título do filme que nos convocou para este pequeno texto. Trata-se do fabuloso O Sétimo Selo, do cineasta sueco Ingmar Bergman.

Ernst Ingmar Bergman ​​(1918 – 2007) foi, no âmbito do cinema, argumentista, realizador e produtor, tendo sido, igualmente, dramaturgo, diretor teatral e escritor.

Ao longo dos séculos, têm existido seres como, por exemplo, Hesíodo, Hildegard von Bingen, Michelangelo da Caravaggio, Leonhard Euler ou Marie Curie que, pela sua admirável, prodigiosa e singular produção, elevam o saber, a cultura e o conhecimento humanos a um fastígio infrequentemente alcançado. Desta feita, falamos de Ingmar Bergman, amplamente considerado um dos mais notáveis e influentes realizadores de toda a História do Cinema.

Realçaremos que Ingmar Bergman, que escreveu ou realizou mais de 60 filmes e 170 produções teatrais, teve em Shakespeare, Molière, Ibsen e Strindberg referências de vulto para o seu processo criativo.

Da sua vasta e excepcional filmografia, torna-se uma árdua e, de certo modo, descortês tarefa, a referência a alguns dos seus notáveis títulos — uma vez que, em decorrência, outras obras de similar preeminência seriam postergadas.

Arrisquemos, ainda assim, enfatizar, por exemplo, Morangos Silvestres, filme de 1957, A Máscara, de 1966, Lágrimas e Suspiros, de 1972, ou Fanny e Alexander, de 1982.

Regressemos, por ora, a O Sétimo Selo, o extraordinário filme de 1957.

Essa obra absoluta da História do Cinema narra a história de um cavaleiro, Antonius Block, que, tendo testemunhado tanta crueldade e miséria, vê soçobrar a sua fé e a sua religiosidade.

Regressado das Cruzadas, o cavaleiro encontra a sua terra natal, a Suécia medieval, assolada pela Peste Negra.

O Sétimo Selo evoca de modo impressivo um século XIV de pavor, de desespero e de superstição.

É nesse ambiente que, sendo perseguido pela Morte, Antonius Block desafia-a para uma partida de xadrez, tendo a sua vida como prémio.

De uma estética visual austera onde se percebe o confronto, de cariz expressionista, entre a luz e a escuridão, O Sétimo Selo, através do comportamento e das atitudes dos personagens, propõe-nos uma reflexão sobre a fé, a dúvida e a desesperança, sendo, desse modo, uma alegoria admirável de como encontrar respostas para algumas das grandes questões que nos interpelam.

Acerca desse sublime e esplendente filme, que foi galardoado com o Prémio do Júri no Festival de Cinema de Cannes, em 1957, é da mais justa aceitabilidade sinalizar os desempenhos dos excepcionais actores como, por exemplo, Max von Sydow, Bibi Andersson, Gunnar Björnstrand ou Bengt Ekerot.

Concluiremos este breve texto, enfatizando que, de entre os inúmeros prémios e galardões recebidos, Ingmar Bergman foi galardoado, pela Academia de Hollywood ou, mais correctamente, pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, em 1970, com o Prêmio Memorial Irving G. Thalberg, recebeu, em 1977, a Palma de Ouro de carreira, ou a “Palma das Palmas”, no Festival de Cannes, tendo, também, sido agraciado, em 1985, com o título de Comendador da Ordem Nacional da Legião de Honra, distinção atribuída pela República Francesa.

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