No universo musical, o contraponto pode ser encarado como a arte de combinar duas ou mais vozes independentes e simultâneas. O matemático, musicólogo e compositor flamengo Johannes Tinctoris (c. 1435 – 1511) referiu-se ao contraponto como uma aceitável e equilibrada combinação obtida pela colocação de uma voz contra a outra. Há quem compare o estudo do contraponto, na música, ao estudo da perspectiva, nas artes plásticas.
As primeiras composições musicais de carácter polifónico, i.e., com duas ou mais linhas melódicas soando em simultâneo, remontam ao Séc. IX — em termos muito gerais, contraponto e polifonia são dois conceitos muito próximos, com significados ligeiramente diferentes.
De entre as várias formas de escrita contrapontística, uma das mais fascinantes é a Fuga, em que o tema inicial é repetido por outras vozes que entram sucessivamente e continuam de maneira entrelaçada. O Dicionário Oxford dá-nos a seguinte definição de Fuga:
“Uma composição polifónica na qual um tema melódico curto, o sujeito, é introduzido por uma parte ou voz e sucessivamente retomado pelas outras e desenvolvido pelo seu entrelaçamento.”
Adiantaremos, como breve nota histórica, que a Fuga surgiu no Barroco, período musical que se estendeu, grosso modo, de 1580 a 1750, ano da morte de Johann Sebastian Bach (1685 – 1750).
O título desta categoria é devedor, justamente, do título da obra, A Arte da Fuga, na qual J. S. Bach levou a Fuga ao seu acme devido à singular complexidade e sofisticação daquela sua obra, conduzindo, desse modo, a música europeia a um dos seus momentos de maior pulcritude e sublimidade.
A Kunst der Fuge (Arte da Fuga) de Bach que foi, na sua segunda e última versão, publicada em 1752, é composta de 14 fugas e quatro cânones.
Essa obra, que é de uma beleza austera e que representa a apoteose da forma, carrega consigo uma aura de algum mistério, pois não se sabe se Bach a escreveu com intuito meramente didáctico, assim como não há qualquer indicação dos instrumentos para os quais ela foi escrita. Também não é clara a ordem das 18 secções e pensa-se, inclusivamente, que a obra não foi concluída, sendo, no entanto, possível que tenha havido, pelo menos, um rascunho da fuga final que, entretanto, se perdeu.
Da vasta, sublime e espantosa obra de J. S. Bach, poderíamos, a título meramente ilustrativo, destacar a Missa em Si Menor, a grandiosa missa católica — sendo Bach um compositor luterano — concluída em 1749, tida como um dos esteios da cultura ocidental, a extraordinária oratória Paixão segundo Mateus, de 1927, uma das obras-primas da História da Música, ou a bela Oferenda Musical, que resultou de um encontro entre Bach e Frederico II da Prússia, em Potsdam, no ano de 1947.
Como último apontamento deste pequeno texto, adiantaremos que a monumental obra de J. S. Bach resumiu toda a história da música produzida até então, através de uma notável síntese dos vários géneros existentes, desde a imitação polifónica, ao estilo concertante, passando pelo canto dramático. Com o seu génio, Bach esgotou todos os géneros musicais existentes no Barroco, marcando, assim, o final desse estilo e propiciando o surgimento de um novo período na História da Música.
Johann Sebastian Bach é, assim, justamente, considerado um dos maiores vultos da cultura ocidental!
Aqui, nesta categoria, iremos falar sobre música.
Acrescentaremos, ainda, em guisa de elucidação, que esta categoria — A Arte da Fuga — será a única das quatro categorias principais que se ramificará em quatro categorias secundárias. Assim teremos como suas subsidiárias as seguintes categorias:
§ Canção de Embalar — categoria que irá albergar algumas músicas do cancioneiro português, assim como músicas de outras geografias.
§ Musical Box — categoria onde iremos dedicar algum do nosso tempo à escuta de canções do universo anglo-saxónico.
§ So What — categoria na qual prestaremos uma cuidada atenção a alguma da música produzida no âmbito de um género musical que, no dealbar do Séc. XX, deu origem a uma nova era: a Era do Jazz.
§ The Moor’s Revenge — categoria ao longo da qual iremos prestar o nosso ouvido a algumas peças da chamada música erudita, que de tão donairosas por certo nos encantarão.