Por ter fracturado uma perna, o fotógrafo L. B. “Jeff” Jefferies vê-se obrigado a permanecer no seu apartamento em Nova York, mais propriamente, no bairro de Greenwich Village.
Entre as visitas da sua namorada, Lisa Fremont, e da sua enfermeira, Jeffries, sentado na sua cadeira de rodas, vai ocupando o seu tempo a observar, pela janela traseira do seu apartamento, o dia-a-dia dos seus vizinhos. A partir de um dado momento, devido a peripécias várias, Jeffries começa a suspeitar que um vizinho do outro lado do pátio, Lars Thorwald, vendedor de jóias ambulante, possa ter assassinado a esposa. O que ficou descrito atrás é, muito resumidamente, um fragmento da Janela Indiscreta, filme de 1954, de Alfred Hitchcock, considerado, justamente, um dos mais extraordinários e influentes realizadores da história do cinema. Neste filme, produzido pela Paramount, Hitchcock confina toda a acção a único cenário integralmente filmado em estúdio. Este notável filme, devido à sua enorme relevância enquanto objecto artístico, faz parte do acervo da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos e é tido como um dos melhores filmes de Hitchcock e um dos mais bem-conceituados registos de toda a História do Cinema.
É o título deste fabuloso filme, Janela Indiscreta, que conta com as interpretações de excelência de James Stewart (L. B. “Jeff” Jefferies), Grace Kelly (Lisa Fremont) e Raymond Burr (Lars Thorwald), que dá nome a esta categoria.
Da longa e excepcional filmografia de Alfred Hitchcock poderemos mencionar A Pousada da Jamaica, um excelente filme de 1939, ainda do período inglês do realizador, cujo argumento é a adaptação de um romance da escritora inglesa Daphne du Maurier, que conta com o desempenho do grande actor inglês Charles Laughton. Mais tarde, já em Hollywood, sinalizaremos A Casa Encantada, de 1945, um esplêndido filme produzido por David O. Selznick, com as magníficas interpretações de Gregory Peck, Ingrid Bergman e Leo G. Carroll, e no qual aparece o sonho do Dr. Anthony Edwardes (Gregory Peck), encenado pelo pintor surrealista espanhol Salvador Dali. Não poderíamos deixar de destacar o extraordinário Psico, filme de 1960, de baixo orçamento e filmado a preto e branco, que, nas palavras do crítico português de cinema João Lopes, ajuda a inaugurar “a Década de Todos os Filmes” — a prodigiosa década de 1960, ao longo da qual se assistiu a enormes transformações de âmbito político, social, cultural e de costumes e em que a linguagem cinematográfica, em conformidade, também foi objecto de uma profunda renovação. Este filme, que tem o surpreendente argumento de, à data pouco conhecido, Joseph Stefano, a partir do romance homónimo do escritor americano Robert Bloche, e que conta já com o grande Bernard Herrmann na escrita da banda sonora, oferece-nos as magníficas interpretações de Janet Leigh, de Vera Miles, de Martin Balsam e a memorável composição do personagem Norman Bates protagonizado por Anthony Perkins. Norman Bates representou uma das mais extraordinárias e célebres composições da história do cinema e que vinculou, quase definitivamente, o actor à personagem.
Como nota final, de merecido realce, adiantaremos que, tal como já acontecera com a Janela Indiscreta, Psico foi, também, declarado património da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.
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