Foy Porter

Nas palavras avisadas do musicólogo francês Norbert Dufourcq: “Entre a subida de Hugo Capeto ao trono de França (987) e a morte de S. Luís (1270), um facto domina a história da música ocidental: o nascimento de uma forma nova (…): a polifonia (…)”.

É comummente aceite que é no tratado de música do Séc. IX, Musica enchiriadis, que surgem as primeiras descrições do organum, a forma mais antiga de polifonia ocidental. Esse tratado é de autoria incerta, havendo, no entanto, estudiosos que indicam o nome do abade beneditino Otger de Laon como o seu provável autor.

Entre o final do Séc. XII e o início do Séc. XIII, dois grandes nomes da Escola de Notre-Dame de Paris, Léonin e Pérotin, dão um enorme contributo para o desenvolvimento da polifonia ocidental.

No decurso do Séc. XIV, período histórico em que vimos resplandecer obras da magnitude de A Divina Comédia, de Dante Alighieri, o Cancioneiro de Francesco Petrarca, O Decameron, de Giovanni Boccaccio, obras maiores das letras italianas, ou, ainda, Os Contos de Canterbury, do inglês Geoffrey Chaucer, emerge a preexcelente figura do compositor e poeta francês Guillaume de Machaut (c. 1300 – 1377).

Guillaume de Machaut é, a par de Philippe de Vitry, um dos mais proeminentes músicos do estilo Ars nova — em oposição à Ars antiqua, movimento protagonizado pelos dois notáveis mestres da Escola de Notre-Dame de Paris já referidos acima, Léonin e Pérotin.

Devido aos seus contributos para o desenvolvimento, evolução e refinamento da polifonia ocidental, Guillaume de Machaut é tido como o mais importante compositor europeu do século XIV.

Compositor prolífico e inovador, Guillaume de Machaut ajudou a desenvolver o motete e as formas de canções seculares tais como o rondeau, o virelai ou a ballade. No entanto, a sua grande obra é a Messe de Nostre Dame, comummente considerada a mais extraordinária peça musical de todo o século XIV. A Missa de Notre Dame, a quatro vozes, composta por Guillaume de Machaut é, provavelmente, a mais antiga configuração completa do Ordinário da Missa.  

Guillaume de Machaut concorreu, assim, decisivamente para a apuração da polifonia ocidental, essa “grande arte”, no dizer do já citado Norbert Dufourcq.

Referiremos ainda que, enquanto poeta, Guillaume de Machaut foi também admirada por outros grandes vultos como, por exemplo, Geoffrey Chaucer.

A encerrar este breve texto, recordaremos as ajustadas palavras de Daniel Leech-Wilkinson, professor no King’s College de Londres, que disse que Machaut foi “o último grande poeta que também foi compositor”.

Escutemos o maravilhoso virelai, Foy Porter, na voz insuperável da soprano britânica Emma Kirkby.

https://www.youtube.com/watch?v=-zw9qM8lHzg

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